‘Presenteísmo e Adição ao trabalho’ Fala do Dr. Sávio Macêdo – Psicólogo

Imerso em uma sociedade que valoriza cada vez mais o desempenho a qualquer custo,
os objetivos institucionais podem acabar por confundir o indivíduo sobre suas próprias
capacidades e limites humanos. A busca incessante por alta performance, juntamente com a pressão para alcançar metas, pode interferir significativamente na permanência do
trabalhador em suas atividades, mesmo diante de adoecimentos físicos ou psicológicos.
O presenteísmo é um comportamento dos trabalhadores que tem relação direta com a
cultura organizacional. Sua definição inicial remonta a 1955, e ao longo do tempo, tem
sido objeto de diversas análises, ganhando relevância à medida que se associa diretamente à saúde, autoestima, bem-estar e com a retenção de talentos. O presenteísmo ocorre quando um trabalhador está fisicamente presente em seu local de trabalho, mas não
consegue se engajar mentalmente, o que compromete o desempenho de suas atividades
(Yılmaz & Söyük, 2024).

A falta de envolvimento emocional deve ser considerada um fator relevante na
caracterização do presenteísmo. Isso ocorre em um contexto que considera que uma
presença com baixa produtividade é preferível à ausência, além de rotinas de trabalho
caracterizadas por longa exposição a estressores, os quais podem desencadear intenso desgaste físico e mental, e, consequentemente, levar ao adoecimento ocupacional (Sousa et al., 2023; Vale, 2022).

A adição ao trabalho é um conceito relacionado a compulsão ou vício ao trabalho e
tem associação ao termo em inglês, “workaholic”, derivado de “alcoholic” (alcoólatra), que utilizam o mesmo sufixo para descrever esse comportamento. É caracterizado por uma instabilidade emocional e perda do controle do tempo e energia destinados às atividades laborais. Há uma desproporção entre a dedicação ao trabalho e a outras áreas da vida como família, laser e atividades sociais, sempre priorizando o trabalho em detrimento dessas outras áreas.

Em alguns casos nos poucos tempos de laser traz o tema trabalho nas suas conversas com famílias e amigos (Oliveira, 2022).

A dependência laboral pode ser dividida em dois componentes, conforme a escala
Dutch Work Addiction Scale (DUWAS-10), trabalho excessivo e trabalho compulsivo.
O trabalho excessivo, considerado o aspecto mais leve, refere-se à tendência de destinar
um tempo excepcional ao trabalho, excedendo o comum dentre as características de sua
atividade. Já o trabalho compulsivo caracteriza-se pela permanente preocupação com questões do trabalho, mesmo fora do horário de trabalho, indicando uma obsessão pelo trabalho (Vazquez et al., 2017).
Os indivíduos adictos sentem culpa e autocobrança por não estarem trabalhando, além da necessidade de demonstrar um alto nível de envolvimento e dedicação. O
comportamento de evitar a inatividade pode levar indivíduos a dificuldades em aproveitar
momentos de lazer, como férias, além de gerar irritabilidade e, em alguns casos, sintomas
depressivos. Esses indivíduos permanecem fixados em questões profissionais, buscando
satisfação emocional no trabalho. Embora essa dedicação possa ser valorizada em
algumas culturas organizacionais, a evolução desse quadro pode resultar em quedas de
desempenho e adoecimento psicológico prejudicando tanto a pessoa quanto a organização
(Garcia & Medeiros, 2023; Oliveira, 2022).
Tanto o presenteísmo quanto a adição ao trabalho podem ser diretamente relacionados
aos valores institucionais quanto a formação dos trabalhadores. Além disso, há uma
relação significativa com o aspecto financeiro do trabalhador. Em muitos casos, afastar-
se do trabalho pode resultar em uma diminuição da renda mensal do indivíduo,
especialmente para aqueles que recebem parte de seu salário com base na produção, em
plantões ou em horas extras trabalhadas, como ocorre com os profissionais de saúde,
segurança pública e da educação (Guimarães et al., 2023).

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Isabele Miranda

Redator

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