Anderson Bernal alerta para os efeitos do estresse e do bruxismo sobre dentes, gengivas, musculatura e articulação temporomandibular
No ambiente corporativo de alta pressão, estresse e ansiedade costumam ser associados à queda de produtividade, noites mal dormidas e alterações no bem-estar. O que muitas vezes passa despercebido é que essa sobrecarga também pode se manifestar na saúde bucal.
Segundo o dentista Anderson Bernal, situações prolongadas de estresse podem estar relacionadas ao apertamento e ao ranger dos dentes, conhecidos como bruxismo, aumentando a sobrecarga sobre dentes, músculos da mastigação e articulações.
A tensão que chega à boca
O bruxismo pode provocar desgaste dentário, pequenas fraturas e sensibilidade, além de sobrecarregar a musculatura responsável pela mastigação. Em alguns casos, também pode estar associado a dores na região da face, cabeça e pescoço.
“A cavidade oral é um barômetro de precisão da mente. Frequentemente, a queixa do paciente chega como um desconforto ao acordar ou uma lasca imperceptível na borda do dente. Sob uma análise minuciosa, o que se revela é uma estrutura óssea e muscular em estado de fadiga devido à ansiedade contínua. O invisível, quando ignorado, cobra o seu preço na superfície”, explica Anderson Bernal.
Além do desgaste provocado pelo apertamento ou ranger dos dentes, a tensão muscular pode contribuir para sintomas relacionados à articulação temporomandibular (ATM), como dor, estalos e dificuldade ou desconforto ao movimentar a mandíbula.
Estresse também pode afetar a saliva
A relação entre estresse e saúde bucal não está apenas na força exercida sobre os dentes. Alterações no funcionamento do organismo durante períodos de ansiedade também podem influenciar a produção de saliva.
A boca seca, por exemplo, pode aumentar o desconforto e contribuir para alterações no ambiente oral. A saliva desempenha papel importante na lubrificação, na proteção dos dentes e na neutralização dos ácidos produzidos pelas bactérias.
Por isso, pacientes que apresentam sensação frequente de boca seca, aumento da sensibilidade, desgaste dentário ou sangramento gengival devem procurar avaliação profissional.
Diagnóstico antes do tratamento
Para Anderson Bernal, identificar a origem dos sintomas é fundamental antes de iniciar qualquer tratamento. A avaliação pode envolver exame clínico, análise da mordida e, quando indicado, recursos digitais para compreender a distribuição das forças sobre os dentes.
Em pacientes com sinais de bruxismo e desgaste, o tratamento pode incluir medidas para proteger os dentes e controlar a sobrecarga, como dispositivos oclusais individualizados. A indicação, porém, deve ser feita após avaliação profissional.
“Mais do que tratar apenas a consequência estética, é importante entender o que está provocando o desgaste e a sobrecarga. O objetivo é preservar a estrutura dental e a função mastigatória ao longo do tempo”, afirma Bernal.
Para o dentista, cuidar da saúde bucal também deve fazer parte da rotina de prevenção de pessoas submetidas a períodos intensos de estresse. O acompanhamento odontológico permite identificar alterações precocemente e evitar que sinais aparentemente pequenos evoluam para problemas mais complexos.