Quando o sonho da maternidade encontra a dor do tempo e diagnostico de infertilidade após os 35 anos

Para muitas mulheres, o desejo de ser mãe é profundo, íntimo, quase silencioso. Mas, à medida que o tempo passa, o corpo envia sinais de que o relógio biológico não espera. E, quando vem um diagnóstico de infertilidade, a realidade pode pesar ainda mais.

“Não é só sobre números ou exames. É sobre expectativas, sonhos e a própria identidade feminina”, explica a Dra. Carla Iaconelli, especialista em reprodução humana.

Dra. Carla Iaconelli (Foto: Divulgação)

Engravidar após os 35 anos já envolve desafios naturais: a fertilidade começa a diminuir, a reserva ovariana cai e os riscos de abortamento ou alterações cromossômicas aumentam. Para algumas mulheres, tudo isso chega como um choque, especialmente quando o desejo de ser mãe já é urgente e real.

A dor invisível da infertilidade

Não há roteiro para a infertilidade. Algumas mulheres descobrem aos 37 anos que engravidar naturalmente será mais difícil do que imaginavam, e outras lutam por anos sem sucesso. Em ambos os casos, surgem emoções complexas: ansiedade, frustração, culpa, medo de se arrepender e sensação de estar “atrasada”.

“A pressão social e a comparação com amigas ou familiares que engravidaram mais cedo tornam tudo ainda mais pesado. É um luto silencioso que nem sempre as pessoas reconhecem”, acrescenta a Dra. Carla.

Essa dor se manifesta em pequenos momentos do dia a dia: olhar o calendário e sentir o peso de cada ciclo, ouvir notícias de gestações próximas ou se culpar por algo que está além do controle.

O impacto da idade e da baixa reserva ovariana
A partir dos 35 anos, a fertilidade feminina começa a diminuir de forma mais acelerada. Entre os 37 e 40 anos, essa queda se torna ainda mais acentuada, e após os 40 anos os riscos aumentam: abortamento espontâneo, alterações cromossômicas e complicações na gestação.

Cada mulher tem uma trajetória única. A baixa reserva ovariana não significa que a maternidade seja impossível, mas exige avaliação individualizada e planejamento cuidadoso. “A Menopausa, por exemplo, ocorre geralmente entre os 45 e 51 anos de idade e corresponde à última menstruação da mulher. No entanto, a perimenopausa pode começar até 10 anos antes da menopausa. Para muitas mulheres, a infertilidade pode se somar a esse período de transição hormonal, tornando o desafio ainda maior, explica a Dra. Carla.

A avaliação da reserva ovariana,  geralmente feita por exames de hormônio antimülleriano (AMH) e ultrassom dos ovários, é essencial para entender a capacidade reprodutiva e definir estratégias adequadas.

A medicina reprodutiva oferece alternativas que respeitam a história de cada mulher:

• Inseminação artificial: indicada para casos de baixa fertilidade ou dificuldades leves, usando espermatozoides selecionados.
• Fertilização in vitro (FIV): coleta de óvulos e fertilização em laboratório, indicada quando a fertilidade natural é mais difícil ou há baixa reserva ovariana.
• Congelamento de óvulos: opção para mulheres que desejam adiar a maternidade, preservando a qualidade dos óvulos em idade mais favorável.
• Acompanhamento do estilo de vida: nutricional, hormonal e emocional, que impacta diretamente na fertilidade.

“O mais importante é que cada plano seja personalizado. A medicina reprodutiva moderna não trabalha com receitas prontas, mas com estratégias éticas, seguras e alinhadas aos sonhos de cada mulher”, reforça Dra. Carla.

Apesar do impacto emocional, há caminhos possíveis. Planejar a maternidade não significa abrir mão do sonho de engravidar naturalmente, mas sim transformar ansiedade em clareza.

“Ter acesso a informações corretas e acompanhamento especializado permite decisões seguras, alinhadas aos valores pessoais, estilo de vida e projetos futuros”, diz Dra. Carla.

É importante também ter cuidado com promessas milagrosas: vitaminas “garantia de gravidez”, dietas milagrosas ou protocolos prontos divulgados em redes sociais. Nada disso substitui avaliação profissional e individualizada.

“A boa medicina não vende ilusões, mas oferece informação, orientação e respeito ao tempo e às escolhas de cada mulher”, alerta a especialista.

A maternidade após os 35 anos, diante de um diagnóstico de infertilidade ou baixa reserva ovariana, exige coragem, informação e acolhimento. Conversar com um especialista em reprodução humana é o primeiro passo para transformar ansiedade em planejamento consciente.

“A maternidade pode ser planejada de forma ética, respeitosa e alinhada à sua história de vida. Cada mulher merece viver esse momento com clareza, segurança e esperança”, conclui Dra. Carla Iaconelli.

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Redação RJ

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