Mesmo durante o outono e o inverno, radiação ultravioleta continua atuando e pode causar danos cumulativos, incluindo manchas e câncer de pele
Com a chegada das temperaturas mais baixas, é comum que o protetor solar desapareça da rotina de muitas pessoas. A sensação de que o sol está mais fraco, somada aos dias nublados e ao clima ameno, cria a impressão de que a pele está protegida naturalmente. No entanto, especialistas alertam que essa percepção está longe da realidade.
Mesmo durante o outono e o inverno, a radiação ultravioleta continua presente e seus efeitos podem se acumular silenciosamente ao longo dos anos.
O dermatologista Dr. Matheus Rocha explica que a principal armadilha dessa época do ano está justamente na falsa sensação de segurança.
Segundo ele, enquanto a radiação UVB, responsável pelas queimaduras solares, costuma diminuir em intensidade, os raios UVA seguem incidindo diariamente. “A radiação UVA atravessa nuvens, vidros e permanece ativa durante todo o ano. Como ela não provoca sinais imediatos, como vermelhidão ou ardência, muitas pessoas subestimam sua capacidade de causar danos profundos à pele”, afirma.

Essa exposição contínua está associada ao surgimento de manchas, perda de elasticidade, envelhecimento precoce e aumento do risco de câncer de pele. O problema se torna ainda mais relevante porque boa parte da população relaxa justamente nos meses em que acredita estar menos exposta. Pesquisas nacionais mostram que mais de 60% dos brasileiros não utilizam protetor solar diariamente, e uma parcela significativa abandona completamente o hábito em dias nublados.
Além da radiação, o período traz outro desafio para a saúde da pele: o ressecamento. A combinação de baixa umidade do ar, ventos mais frios e banhos quentes compromete a barreira cutânea, favorecendo irritações, sensibilidade e descamação.
Para Rocha, esse cenário exige ainda mais atenção. “Quando a pele está ressecada, sua capacidade de proteção natural diminui. Isso a torna mais vulnerável a processos inflamatórios e aos efeitos acumulativos das agressões ambientais”, explica.
Os riscos não se restringem a quem frequenta praias ou áreas abertas. Atividades cotidianas como dirigir, caminhar até o trabalho ou permanecer próximo a janelas também representam fontes de exposição aos raios UVA. Por isso, a recomendação médica é manter a fotoproteção durante todo o ano, independentemente da estação.
Os números reforçam a importância desse cuidado. O câncer de pele continua sendo o tipo mais frequente no Brasil e responde por milhares de novos diagnósticos anualmente. Embora apresente altas taxas de cura quando identificado precocemente, a prevenção ainda é considerada a principal estratégia de combate à doença.
Para o especialista, o segredo está em transformar o protetor solar em um hábito tão automático quanto escovar os dentes. “A pele não deixa de sofrer os efeitos da radiação porque a temperatura caiu. O frio muda a sensação térmica, mas não interrompe os processos que levam ao envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças. A proteção precisa acompanhar a rotina em todas as estações”, conclui.
Sobre o especialista
Matheus Rocha é dermatologista com atuação em cirurgia dermatológica e tratamento do câncer de pele. Sua trajetória profissional inclui atendimento especializado em doenças cutâneas, prevenção oncológica e formação médica voltada ao diagnóstico e manejo de tumores de pele.
