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Blefaroplastia: por que muitas pessoas não querem parecer mais jovens, mas apenas menos cansadas? Dr. Josué Montedonio explica

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Existe uma região do rosto que costuma denunciar o envelhecimento antes mesmo de surgirem rugas profundas ou perda importante do contorno facial: os olhos.


É comum que homens e mulheres procurem o consultório relatando uma sensação curiosa. Apesar de estarem bem, descansados e vivendo um bom momento da vida, frequentemente ouvem comentários como “você parece cansado”, “está tudo bem?” ou “você dormiu pouco?”.


Segundo o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), isso acontece porque as pálpebras estão entre as primeiras estruturas do rosto a demonstrar os efeitos naturais do envelhecimento.


“Muitas vezes o paciente não aparenta estar mais velho. Ele aparenta estar cansado. E isso pode acontecer mesmo quando está saudável, descansado e se sentindo muito bem.”


Por que os olhos envelhecem primeiro?


A região ao redor dos olhos possui uma das peles mais finas de todo o corpo. Com o passar dos anos, ocorre perda gradual de colágeno, elastina e sustentação dos tecidos.


Como consequência, podem surgir excesso de pele nas pálpebras superiores, rugas mais evidentes e as conhecidas bolsas abaixo dos olhos.


Segundo Dr. Josué, esses sinais alteram principalmente a expressão facial.
“O olhar transmite emoções. Quando existe excesso de pele ou bolsas palpebrais, a impressão pode ser de cansaço, tristeza ou falta de disposição, mesmo quando isso não corresponde à realidade.”


O que é a blefaroplastia?


A blefaroplastia é a cirurgia plástica das pálpebras.
Seu objetivo é remover o excesso de pele das pálpebras superiores e, quando necessário, tratar as bolsas de gordura localizadas nas pálpebras inferiores, restaurando um aspecto mais leve e descansado ao olhar.


O especialista destaca que o procedimento não busca modificar as características do paciente.
“A proposta da blefaroplastia não é criar um novo olhar. O objetivo é suavizar os sinais do envelhecimento, preservando completamente a identidade da pessoa.”


A cirurgia muda a expressão?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes.


Segundo Dr. Josué, quando o procedimento é corretamente indicado e realizado de forma individualizada, o resultado deve ser discreto e natural.
“Ninguém deve olhar para o paciente e perceber que ele fez uma cirurgia. O ideal é que as pessoas apenas notem que ele está com uma aparência mais descansada, mais leve e mais saudável.”


Para isso, o planejamento respeita a anatomia de cada rosto e evita retiradas excessivas de pele, que podem comprometer tanto a estética quanto a função das pálpebras.


E as cicatrizes?


Outro receio comum diz respeito às marcas da cirurgia.
De acordo com o especialista, as incisões costumam ser posicionadas nos sulcos naturais das pálpebras superiores ou logo abaixo da linha dos cílios nas inferiores, o que favorece uma cicatrização bastante discreta.


“Na maioria dos pacientes, as cicatrizes tornam-se muito pouco perceptíveis com o passar do tempo. O planejamento da incisão faz parte do próprio resultado estético.”


A blefaroplastia interrompe o envelhecimento?
Não.
Embora a cirurgia trate alterações já existentes, ela não impede que o processo natural de envelhecimento continue acontecendo.
Por isso, os cuidados diários permanecem fundamentais para preservar os resultados.


Proteção solar, hidratação da pele, acompanhamento dermatológico e tratamentos que estimulem a produção de colágeno podem contribuir para manter a qualidade dos tecidos ao longo dos anos.


“Uma pele bem cuidada tende a envelhecer melhor. A cirurgia corrige aquilo que já incomoda, mas o envelhecimento continua sendo um processo natural.”
O objetivo é fazer o olhar refletir como a pessoa realmente se sente


Para Dr. Josué Montedonio, um dos maiores benefícios da blefaroplastia está justamente na harmonia entre aparência e bem-estar.
“Muitas pessoas não procuram a cirurgia porque desejam parecer décadas mais jovens. Elas querem apenas que a imagem refletida no espelho corresponda à energia que sentem no dia a dia.”


E conclui:
“A blefaroplastia não muda quem o paciente é. Ela devolve leveza ao olhar e suaviza sinais que fazem a pessoa parecer constantemente cansada. Quando bem indicada, o resultado é natural, elegante e respeita a identidade de cada rosto. Afinal, muitas vezes o problema não é parecer mais velho. É parecer cansado sem estar.”

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