Plataforma desenvolvida por infectologista e biomédica brasileiras transforma metodologia já validada por hospitais de excelência em um processo diário, contínuo, auditável e prático — disponível à beira do leito em instituições de diferentes portes
Em meio à pressão crescente sobre os custos operacionais da saúde no cenário pós-pandêmico — agravada pelo avanço da resistência antimicrobiana, hoje considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das dez maiores ameaças globais à saúde pública —, hospitais brasileiros enfrentam um desafio cada vez mais complexo: melhorar resultados financeiros sem depender exclusivamente de reajustes, aumento de receita ou novos aportes.
Nesse cenário, a redução das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) consolida-se como uma das estratégias mais eficientes para diminuir desperdícios, preservar vidas e ampliar a sustentabilidade operacional das instituições.
As IRAS estão entre os maiores geradores de custos ocultos dentro dos hospitais. Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), pacientes com infecção hospitalar geram custos diários cerca de 55% superiores aos de pacientes sem infecção. Já o Ministério da Saúde estima que entre 5% e 14% das internações no Brasil evoluem com algum tipo de IRAS — um problema que combina alto impacto clínico, prolongamento de internações e desfechos desfavoráveis.
Para o médico intensivista Fernando Merlos, o principal problema é que boa parte desses prejuízos permanece invisível na rotina financeira das instituições.
“O custo da infecção aparece diluído em mais dias de UTI, mais antibióticos, mais exames, maior ocupação de leitos e aumento da complexidade assistencial. O hospital perde recursos continuamente sem perceber claramente onde está a origem do desperdício”, afirma.
O especialista explica que os métodos de prevenção já foram amplamente desenvolvidos e validados em programas conduzidos por hospitais de excelência dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS), como Hospital Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e HCor. O desafio sempre esteve em conseguir aplicar esse modelo de forma prática e contínua em hospitais de médio e pequeno porte, fora dos grandes centros.
A InfectoCare partiu justamente desse ponto: validou na prática assistencial diária a metodologia já consagrada por esses hospitais de referência e a transformou em um processo de fluxo diário, contínuo, auditável, simples e prático, disponível à beira do leito — replicável em instituições com diferentes níveis de estrutura e maturidade em controle de infecção.
“O diferencial da nossa solução foi transformar essa metodologia em um processo sequencial, sistematizado, rastreável e prático. Com a plataforma, qualquer hospital consegue replicar essa lógica operacional de maneira padronizada, sem depender de grandes estruturas externas”, destaca.
A solução desenvolvida pela InfectoCare organiza o fluxo de prevenção para que cada inconformidade identificada nas auditorias assistenciais à beira do leito gere uma ação imediata, com responsável definido, acompanhamento e verificação contínua.
“Não basta apenas identificar o risco. O que muda o resultado é garantir que a ação aconteça rapidamente à beira do leito e que o ciclo seja acompanhado até o fim. É isso que reduz infecção de forma sustentada”, explica Fernando.
Resultados operacionais documentados em hospital terciário de alta complexidade no sul do Brasil, ao longo de 12 meses de implantação, demonstram o impacto da metodologia: redução de até 57% nas taxas de IRAS e economia documentada de aproximadamente R$ 850 mil no primeiro ano.
Os dados consideram a queda de incidência de infecções de corrente sanguínea associadas a cateter, pneumonia associada à ventilação mecânica e infecção do trato urinário associada a sonda vesical, com projeção de R$ 4,25 milhões em cinco anos.
A médica infectologista Priscila Gabriella Carraro Merlos ressalta, no entanto, que a leitura financeira é consequência — e não objetivo — do trabalho clínico bem executado.
“Nossa prioridade é, e sempre será, a segurança do paciente. A economia surge como reflexo natural da qualidade assistencial: quando um hospital previne infecções, ele evita sofrimento, preserva vidas e, como consequência, otimiza recursos. Muitos hospitais já possuem protocolos e conhecimento técnico. A grande dificuldade está em garantir execução disciplinada, rastreabilidade e acompanhamento diário das ações assistenciais. Quando o processo se torna estruturado e mensurável, os resultados aparecem tanto na qualidade assistencial quanto na sustentabilidade financeira da instituição”, afirma.
Com o avanço das healthtechs no Brasil, cresce também a busca por soluções capazes de unir eficiência clínica e impacto econômico concreto, especialmente em um setor cada vez mais pressionado por produtividade, qualidade e controle de custos. A proposta da InfectoCare insere-se nesse movimento ao oferecer uma resposta tecnológica brasileira, desenvolvida por profissionais com vivência assistencial direta em hospitais de alta complexidade.
Sobre os autores
Fernando Merlos é médico intensivista (CRM/SC 21.056, RQE 14.440), Diretor Administrativo-Comercial e sócio-fundador da InfectoCare. Atua no desenvolvimento de soluções voltadas à prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde, com foco em gestão clínica, melhoria contínua e estruturação de fluxos assistenciais hospitalares.
Priscila Gabriella Carraro Merlos é médica infectologista (CRM/SC 17.290, RQE 12.590), Mestre em Ciências da Saúde pela PUC/PR, com MBA em Controle de Infecção Hospitalar e MBA em Gestão Hospitalar pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Diretora Médica e cofundadora da InfectoCare, atua em hospitais públicos e privados, dedicada ao controle de infecções hospitalares, segurança do paciente e implementação de protocolos assistenciais voltados à redução de IRAS. É também preceptora de Residência Médica em Clínica Médica e Pediatria e professora universitária.
Sobre a InfectoCare
A InfectoCare é uma plataforma brasileira de prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) e gestão do SCIH. Estrutura, em um ecossistema único, auditorias assistenciais à beira do leito, gerenciamento de inconformidades e indicadores epidemiológicos — transformando boas práticas em processos contínuos, rastreáveis e mensuráveis para hospitais de todos os portes. A empresa está disponível para entrevistas, visitas técnicas e demonstrações da plataforma a veículos de imprensa e instituições de saúde.
